...rascunhos...

...na lata do lixo

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Quis apenas colher os pedaços. Colhê-los e juntá-los. Resquícios de outros tempos abandonados ao tempo - intactos. Faz com que eu o espere nas mesmas lembranças, no mesmo vento. Naquela mesma saudade - a primeira e a última - de primavera eterna.

Em sonhos amontoados, como folhas ao vento adormecemos o mesmo sono. Foi então que aspirou minha essência que me falta agora, como o fôlego cansado que respiro.
Aparência oca: Sinto sua falta sem nada sentir. Porque a sua ausência anestesiou tudo o que há em mim. Anestesiou o entardecer, meus pensamentos, e o que mais não poderia atingir.

Não haveria porque substituí-lo. Pois o que falta aqui sou eu.








Minha crítica não é à degradação suburbana. Minha crítica se opõe à monotonia, ao vício urbano, que se torna crônico aos olhos, ouvidos... À presença inconsciente, à poesia que escapa na degradação moral, ao comodismo de quem vê e não enxerga.

Sem grandes pretensões. Minha crítica não é apenas crítica. É minha visão. É o meu processo de digestão.













Nas placas, o tempo toma forma. Nos postes, nos muros, no outdoor. A fuligem prolifera numa compulsiva poluição, que enrubesce o pôr-do-sol - e entedia os olhos diante da monocromática natureza do concreto.
Até o céu e as nuvens estão cinza. A noite perde deu charme. Não há intensidade em sua imensidão. Apenas os reflexos da cidade: o medo do escuro. Tão ofuscante, que estrelas já não habitam o céu. O céu da cidade, da visão entediada, dos olhos viciados.






Arte de intervenção urbana de Alexandre Orion
http://www.alexandreorion.com














Desprende-se de mim o meu destino.
Fruto de amor. Árvore de pecado.
Minhas mãos são paralisadas
À espera do assassino
Que arranca do meu ventre
Minha alma atormentada.
Seu grito, Seu choro
Abafados pelo silêncio.
Fragmentada no sangue
A dor que sente.
Perdida do destino
A vida amada.
Ah! Pudera eu agora
Embalar-te no peito,
Atendendo ao choro
Sem demora.
Esquentar o pequeno ser
de toque frio...
E recuperar minh'alma criminosa
Ao meu corpo que jaz vazio.














Até então minha raiva nunca havida deixado de ser tão abstrata.
Idealismo bucólico que torna as pessoas patéticas.
Passivas de idéias.
Não me justifico, nem amenizo minha raiva.
Sou passiva a ela.