Lá fora, o mundo se molda às leis do Universo, e o tempo lapida as formas que a luz traduz em poesia para os olhos. Formas que invadem o espaço em versos olfativos, enxugam o vazio com rimas sensoriais.
Na complexidade das sinapses, aqui dentro, formam-se melodias substanciais em meu corpo, numa satisfação incipiente. Alguns homens a transformam e chamam-na de arte. Eu a consumo com meus sentidos, exploro com pensamentos sem tentar tranformá-la com minha racionalidade. Apenas busco matéria-prima pra minha alma.
Foto: Debora Ishikawa
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A narrativa é mais uma fuga. Realidade encobre o romantismo. Palavras duras só pra afirmar minha essencialidade.
Deparei-me com meu vazio em meus textos. Com palavras que me repudiam de mim, a minha aversão aos meus versos.
A simetria me faz sentir tão artificial, tão previsível... Falar de sentimentos ficou tão batido... Na minha voz, na minha letra. Talvez esteja na hora de encontrar outras palavras. Ou buscar outros sentimentos.
Minha reflexão acontece no papel. Minhas mágoas, na borracha.
Sonhava ser poeta.
Hoje, sonho ser poesia...
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Minha crítica não é à degradação suburbana. Minha crítica se opõe à monotonia, ao vício urbano, que se torna crônico aos olhos, ouvidos... À presença inconsciente, à poesia que escapa na degradação moral, ao comodismo de quem vê e não enxerga.
Sem grandes pretensões. Minha crítica não é apenas crítica. É minha visão. É o meu processo de digestão.
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rabiscos (1)
Até então minha raiva nunca havida deixado de ser tão abstrata.
Idealismo bucólico que torna as pessoas patéticas.
Passivas de idéias.
Não me justifico, nem amenizo minha raiva.
Sou passiva a ela.