Partida ao meio, entre tantos pedaços, lágrimas corroem estilhaços do meu músculo cardíaco. Partida em tantos pedaços, meu músculo cardíaco se liquefaz em lágrimas. Queria que me desse um motivo pra te odiar. Para que assim me desfizesse por completo sem que nada de você ficasse em mim. E então, partida, quebrada, desfeita em água salgada, me deixaria em pedaços em suas mãos para buscar outros braços. Partida, minha partida doeria menos do que se fosse incompleta. Ponho-me entre seus braços na esperança de que me tome, me ame ou que me rejeite. Dê-me imunidade contra a sua indiferença, para que eu possa esquecer o quanto te amo. Para que eu me reconstrua na sua ausência. Para eu me completar comigo mesma. Para que eu parta, mesmo que partida. E deixe meus pedaços em sua memória. Ama-me ou deixe-me transformar meu amor em lembrança.
Conto com a minha respiração
Segredos que você conhece
Sussurros de amor
Chama-me com teus braços
põe-me no teu peito
sussura teu amor
sem nada dizer
Enlaça-me com beijos
Prenda-me com teus dentes
Nas entrelinhas, dize
com palavra alguma
Entre os dedos enlaçados
No espaço entre os corpos
preencha-me
de saudade de você
Qualquer distância é enorme
quando não somos um
Desfaça-a. Impele-a.
Destrua ordens de grandeza.
Pois nada que foge à razão
é possível mensurar.
Por maior que possa ser.
Sussurra-me
aquilo que quero ouvir
todas as noites
antes de dormir.
Alguns metros separavam os dois edifícios. Eu me encontrava no quinto andar. Ela estava do outro lado, me esperando. Num salto, voaria até lá. Mas ouvi sua voz, como se estivesse ao meu lado:
- Você pode voar, é mais fácil pra você, mas se falhar, a queda será maior. Ou você pode aprender a caminhar e chegar em segurança.
Seus lábios sequer se moviam. Mesmo assim sabia que era ela que me dizia.
Olhei pra baixo, senti um frio percorrer minha espinha só de imaginar ver o chão se aproximar. Entretanto, tinha um medo maior de caminhar. Tive um ímpeto de correr, então ouvi novamente sua voz:
- Tenha calma, aprenda.
Lentamente levei meu pé pra frente e o pus sobre o ar. Segurei minha respiração, com medo do impacto do chão. Pra minha surpresa, senti no ar um sustento igualável ao do solo e pude me apoiar e levar o outro pé à frente. Nele, senti o mesmo apoio. De tão contente, precipitei-me a caminhar mais depressa, mas conforme aumentava a velocidade, o ar perdia a coesão com meus pés e passei a me equlibrar tal qual um equilibrista caminha numa corda bamba.
Ela me olhou e pude entender sem precisar que me falasse. Voltei a colocar um pé de cada vez e levar o outro à frente somente depois de sentir firmeza no apoio.
Ela me olhava com satisfação. É a última coisa que me lembro. Acordei sem saber se cheguei lá.
Passos largos sem tocar o chão.
Distâncias percorridas dentro de mim
Me levam pra longe do que sou.
Talvez me deixe mergulhada em sonhos
Anestesiada, dormente.
Talvez me deixe num passado distante,
Eterna.
Estranho caminho sem fim.
Deixe-me ficar onde estou, sempre correndo.
Atravesso o abismo sem olhar pra baixo.
Não encontro o caminho de volta,
Estou sem chão. Estou sem céu.
Meu abismo era meu horizonte
Tênue linha que me separa de mim.
Não consigo chorar. Não mais.
Talvez eu abra os meus olhos
E torne o meu barco a flutuar.
Nunca deveria tê-lo deixado
Junto ao meu sonho naufragar.
O desejo queima encharcado
Pelo que se encobriu de mar.
Poderia tê-lo procurado
Mas preferi deixá-lo lá.
Por tanto tempo estive só
Acompanhada e só
Por tanto tempo
Sem pensar
Sem ter o que querer
esquecer
Por quanto tempo
Amante e só
Casual e só
Era tudo e era só...
Caminhava descalça sobre a grama, sentindo a terra molhar a pele. Caminhava, sem saber ao certo o que ficara pra trás. Apenas seguia. Porque no fim do horizonte havia céu, e no céu, a imensidão. Caminharia eternamente, seguindo estrelas. E mesmo que passasse pelos mesmos lugares, não estaria retornando. Porque não seria a mesma pessoa.
Existem mais palavras em um olhar do que se possa imaginar.
Algumas delas são impossíveis de se pronunciar.
Use braços, abraços,
Provoque risadas,
Use boca e dentes,
Use o tempo...
Deixe o espaço....
Invada-o sem estar.
Estar nas alturas me fascina. Gosto de ver coisas tão pequenas se tornarem enormes. Enxergar que a distância que separa as pessoas é muito menor do que a de seus corações. Quanto mais alto, entende-se que mesmo imenso, o mundo ainda é um, finito. Mas que sua imensidão cabe em seus braços conforme seus sonhos se elevam e seu coração enobrece. Quando a mente se desfaz em sensações, é que vêm as melhores idéias, que se sente a umidade da terra, o vento entre os fios de cabelo. Ainda estou aprendendo. Mas adoro voar.
Mesmo sem tirar os pés do chão...
Empoeirados... aí vai um pouco de mim. Do que fui...
2003
Queria ao menos por alguns instantes deixar de pensar. Ou fazer algo que não me lembre quem sou. Gostaria de desmanchar-me em partículas e resumir-me em átomo, matéria, cabono... Algo que possa o vento carregar e dispersar-me no ar sem que eu me torne lembrança. Ou algo menos hipócrita que isso.
Quero deixar de existir. Morrer, não! Após a morte ainda haveria o corpo que envenena o ar. E a solitária prisão seria depois aprisionada na terra, na sepultura que o consumiria insaciavelmente.
Não... Desejo um esquecimento frio: uma desintegração da minha alma. Não ver, não desejar, não sentir!
Quero a insignificância da maior virtude: Não existir!
2005
A chuva batendo no telhado causava um barulho amedrontador. Debruçado na escrivaninha estava num sono quase profundo. O quarto se iluminava momentaneamente com os relampagos. Se a água representa a purificação, então o mundo deve estar impregnado de pecado, pois a tempestade não cessava.
A televisão desligou sozinha, deixando o eco do corredor apenas ao som dos trovões. Acordei sem me assustar.
2006
O primeiro papel que vi.
Quanta curiosidade sobre você. Sobre como mudar sua vida.
Passe uns dias comigo. Durma algumas noites ao meu lado.
Deixe-me cozinhar, cuidar de você.
Mude sua vida. Pra melhor. Queira ser melhor.
Por algum tempo apenas.
Ouça minhas músicas, minhas confissões, minha respiração.
Você mudou minha rotina. Por que não paro de escrever, de pensar?
Imagino como fazer isso tudo. Táticas, estratégia, acaso...
Note-me.
Queira isso tudo também.
Deixe-me entrar.
Mas deixe a porta aberta
Para que eu possa sair.
Ou tranque-a e faça com que eu queira ficar.
Não me deixe partir...
2007
Amor... Sou feita de alma e luz.
O corpo é só pra embalar.
Pra não me dispersar.
A simples observação de dois organismos semelhantes como a de um elefante asiático (Elephas maximus) e de um elefante africano (Loxodonta africana) pode facilmente enganar os olhos de uma pessoa. Uma pessoa leiga poderia dizer que ambos pertencem à mesma espécie visto que suas diferenças morfológicas são poucas e poderiam passar despercebidas. Entretanto, estudos filogenéticos indicam que são grupos muito próximos, pertencentes à família Elephantidae, que inclui três linhagens: Loxodonta, Elephas e Mammuthus, dentre as quais, Loxodonta e Mammuthus são mais proximamente relacionados. Isso significa que essas três linhagens são agrupadas por possuírem um ancestral comum, no entanto, Loxodonta e Mammuthus compartilham um ancestral que não é compartilhado por Elephas (Thomas et.al, 2000.). Ou seja, através da sistemática é possível afirmar que não, um elefante asiático e um elefante africano não pertence ao mesmo gênero. Tampouco são da mesma espécie. Desta forma, esta poderosa ferramenta intenciona não apenas a resgatar a hierarquia da vida (padrão evolutivo), mas também resgatar a sua história evolutiva (processo evolutivo), estabelecendo as suas relações filogenéticas, agrupando e delimitando grupos.
A delimitação de grupos como ocorre com os elefantes demonstra a imprecisão dos palpites que, por mais intuitivos que sejam, nem sempre representam a realidade, os fatos. Portanto, a sistemática não apenas delimita, mas também permite gerar hipóteses sobre a proximidade entre as espécies. Muito além disso, é ainda capaz de dizer se determinados grupos de organismos constituem distintas espécies. Esta capacidade está estreitamente ligada à construção e compreensão de conceitos. A compreensão destes conceitos, como os de espécie por exemplo, pode trazer benefícios para além da atmosfera científica – para a sociedade. O mesmo observador que agruparia o elefante asiático e o africano como uma única espécie, julgando-os por suas semelhanças, frequentemente emprega em seu vocabulário o termo: “raça humana”. Esses julgamentos por mais que sejam alegados intuitivos, são impregnados de “pré-conceitos” que, muitas vezes têm em si uma série de atributos sociais, históricos e culturais. Carregar estes pré-conceitos para a ciência pode significar distorções de fatos. A exemplo de Ernst Hacckel, grande divulgador de Darwin, viu na teoria evolutiva uma ótima arma para afirmar a “superioridade racial dos brancos da Europa” ao invocar a teoria da recapitulação[1]: "ontogenia recapitula a filogenia". Assim como Brinton justificou seu racismo afirmando que os negros são inferiores porque retêm traços juvenis. Bolk, de uma forma contraditoriamente parecida, opôs-se defendendo que os negros são inferiores porque ultrapassam os traços que os brancos conservam (Gould, 2006). Bolk defendeu que os seres humanos se desenvolveram ao reter estágios juvenis de nossos ancestrais e ao eliminar estruturas adultas prévias[2], inversão esta, que poderia gerar onda de racismo contra os brancos, afirmando a superioridade dos negros. (In)felizmente não foi isso o que aconteceu, pois Bolk simplesmente descartou os fatos embaraçosos e ressaltou os traços juvenis dos brancos para sustentar suas idéias. Obviamente, sua crença a priori o levou a levantar provas a favor da superioridade dos brancos, um método longe de ser científico.
Um pouco mais sustentado, mas não menos tendencioso, há quem afirme que não restam dúvidas sobre a existência de raças humanas. Estas por sua vez, seriam um reflexo da seleção natural que sofreu nossa espécie. De acordo com Cox e Moore, cada raça tem seus próprios grupos de alelos. Tomemos como exemplo a pigmentação da pele dos caucasianos que estaria relacionada com a luz solar, a qual é mais fracas nas altas latitude e a pigmentação permitiria reações a luz ultravioleta para síntese de vitamina D, bem como a capacidade de digerir leite – ou seja, a presença da enzima lactase – na idade adulta é atribuída à distribuição de grupos (europeus e algumas tribos norte-africanas) que são, ou foram pastores nômades, para os quais o leite de animais domésticos constituiu fonte alimentar complementar (Cox e Moore, 2009). Eis que entra a questão: como a sistemática influencia nesses julgamentos? Simples, a sistemática traz consigo a necessidade de embasamentos teóricos, dos quais muitos conceitos são ainda muito discutidos.
Existem mais de vinte definições de espécie. E a maioria deles não se resume a um isolamento reprodutivo, como Ernst Mayr afirma (Stamos, 2003). As discussões giram em torno das tipologias, morfologias, variações populacionais, independência evolutiva, relações tocogenéticas, entre muitos outros aspectos. O que pode parecer trivial, dependendo da forma como é colocado, torna muitos desses conceitos arbitrários. Wheler e Platnick são muito criticados pela definição de espécies, que seria uma pequena agregação de populações ou linhagens diagnosticadas por combinação única de caracteres. Porém, sabe-se que as diferenças observáveis são apenas indícios da diferenciação de espécies, mas não são suficientes para suportar a idéia. Já Wiley afirma que uma espécie evolutiva é uma entidade composta de organismos que mantêm sua identidade em relação a outras entidades ao longo do tempo e do espaço, com seu próprio destino (independente) evolutivo e histórico. Esta última definição torna mais abrangente e dá uma visão um pouco mais geral em torno do assunto. Espécies são formadas por organismos, mas sua categorização torna-se discreta, enquanto que as variações entre organismos são contínuas. As controvérsias estão nos limites que diferenciam uma espécie de outra. A espécie é a unidade fundamental da sistemática e se seu embasamento teórico for frágil, igualmente serão as hipóteses filogenéticas. Não cabe a este ensaio determinar qual o melhor conceito de espécie, mas inserir sua importância num contexto tanto científico como social.
Cox, em seu livro Biogeografia – uma abordagem evolucionária, demonstra conceitos muito frágeis no que diz respeito a espécies, uma vez que não discute suas controvérsias:
“A característica marcante que distingue os membros de uma mesma espécie é que
possam acasalar uns com os outros sem que haja redução de fertilidade nas
gerações subsequentes.”
E ainda vai além:
“ Considerando-se que não há evidência alguma de diminuição da fertilidade
resultante do cruzamento entre seres humanos, mesmo entre tipos dos mais
distantes geograficamente ou aparentemente mais diferentes, não resta dúvida de
que são simplesmente raças diferentes de uma única espécie, Homo sapiens.”
As raças que dividiriam as espécies, como Cox propõe (longe de ser primeiro a fazer isso), são as chamadas subespécies. A subespécie é uma categoria de conveniência. Não há exigências de que uma espécie tenha subdivisões. Gould rejeita a classificação racial do homem da mesma forma que rejeita a classificação racial de qualquer outra espécie. Segundo ele, ninguém pode negar que o Homo sapiens seja uma espécie marcadamente diferenciada; poucos contestariam que a diferença na cor da pele sejam o mais óbvio sinal dessa variabilidade. Mas a variabilidade não exige a designação de raça. Ora, se já existem discussões em torno dos conceitos de espécie, dentre os quais são muito criticados aqueles que desconsideram variações populacionais, por que passar por cima desse debate e iniciar outro – ou melhor, o mesmo - igualmente controverso?
Gould ainda enfatiza :
“Não existe nem nunca existiu uma prova sem ambiguidade para determinar genética
de traços que nos tentam a fazer discernições racistas.”
Essas discussões na área científica trazem à tona questões diretamente relacionadas à sociedade. Comportamentos, julgamentos e relações podem ser influenciados a partir do conhecimento da sistemática. Seu entendimento pode mudar a visão acerca das “raças humanas”. Assim, podemos nos apropriar da sistemática como uma arma de educação, como uma representação da vida, como uma linguagem da biodiversidade. E desta forma, compreendemos que a diversidade nem sempre separa, mas une indivíduos. Seja em táxons ou etnias. A biodiversidade humana é cultural.
J. B. Birdsell, citado por Gould, arremata:
“Talvez devêssemos empenhar-nos em investigar a natureza e a intensidade das
forças evolutivas e deixar de lado, quem sabe para sempre, os prazeres de
classificar o homem.”
[1] A teoria da recapitulação afirma que cada organismo em seu desenvolvimento embrionário (ontogenia), tende a recapitular os estágios por que passaram seus antepassados (filogenia). No caso do homem, o embrião humano teria começado a vida como um protozoário marinho, teria se desenvolvido em um ambiente aquático até se tornar um verme com um coração tubular, depois seria um peixe com brânquias e um coração com duas câmaras, passaria a ser um anfíbio com um coração com três câmaras e um rim mesonéfrico, e depois um mamífero com um coração de quatro câmaras, rim metanéfrico e uma cauda, até finalmente ser um ser humano. Desta forma, o embrião humano reteria “vestígios” de sua evolução anterior, recapitulando as sua fases principais.
[2] A este processo se dá o nome de Neotenia, onde raças “superiores” retém traços juvenis na idade adulta.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COX, C. Barry; Moore, Peter D.(2009) Biogeografia: uma abordagem ecológica e evolucionária. 7ed. Rio de Janeiro: LTC.
GOULD, Stephen Jay. (1999) Darwin e os grandes enigmas da vida. 2ed. São Paulo: Martins Fontes.
STAMOS, David N. (2003) The Species problem – Biological species, ontology and the metaphysics of biology. Oxford. Lexington Books
THOMAS, M.G., Hagelberg, E., Jone, H. B., Yang, Z., Lister, A. M. (2000) Molecular and morphological evidence on the phylogeny of the Elephantidae. Department of Biology, University College London, UK.
VASCONCELLOS, Alberto C. (2007) Sistemática Biológica: Sua influência na Conservação e Manejo de Flora e Fauna. Revista Fapese, v.3, n.2, p. 77-80, jul./dez. 77
Caberia numa folha de papel tudo aquilo que me preenche? Caberia em mim? Pra que traduzir em palavras aquilo que se constrói em sonhos, se desfaz em lágrimas?Amores não proferidos se pronunciam pelos olhos. Silêncio que preenche... Escorre pelos poros.Consumo-o com meus sentidos.
Abraço aquilo que me sufoca. Porque o que me tira o fôlego é o que me faz querer respirar. E respirar cada vez mais fundo faz com que eu sinta na garganta a poesia que escapa num sorriso. Aquilo que por alguns instantes faz meu coração parar é o que torna sua batida mais intensa.
Amor que escorre pelos olhos.
Vai, vai bambino vai vedrai, vai Vai, vai criança vai verá, vai Vai, vai piccino vai vedrai, vai Vai, vai pequeno vai verá, vai Vedrai Verá Dove manca la fortuna Que onde a fortuna desaparece Non si va piu con il cuore Não se pode ir tão longe com o coração Ma coi piedi sulla luna Mas com o pé na lua Oh mio fanciullo vedrai Oh, minha criança, verá Vai Vedrai che un sorriso Vai, verá que um sorriso Nasconde spesso un gran' dolore Às vezes esconde uma grande dor Vai Vedrai follia del uomo Vai, verá a loucura da humanidade Follia Loucura Del uomo senza driturra vai Da humanidade sem honestidade, vai Follia Loucura Del guerrier senza paura vai Do guerreiro destemido, vai Follia Loucura Del bambino pien' divita Da criança cheia de vida Che giocando al paradiso Que ao brincar no paraíso Dal soldato fu ucciso Foi morta por um soldado Mio fanciullo vedrai Meu pequeno, verá Vai Vedrai che un sorriso Vai, verá que um sorrio Nasconde spesso un gran' dolore Às vezes esconde uma grande dor Vai Vedrai follia del uomo Vai, verá a loucura da humanidade Follia Loucura Vai Vedrai che un sorriso Vai, verá que um sorrio Nasconde spesso un gran' dolore Às vezes esconde uma grande dor Vai Vedrai follia del uomo Vai, verá a loucura da humanidade Follia Loucura Vai Vedrai che un sorriso Vai, verá que um sorrio Nasconde spesso un gran' dolore Às vezes esconde uma grande dor Vai Vedrai follia del uomo Vai, verá a loucura da humanidade Vai, vai bambino vai vedrai, vai Vai, vai criança vai verá, vai Vai, vai piccino vai vedrai, vai Vai, vai pequeno vai verá, vai Vedrai Verá Dove manca la fortuna Que onde a fortuna desaparece Non si va piu con il cuore Não se pode ir tão longe com o coração Ma coi piedi sulla luna Mas com o pé na lua Oh mio fanciullo vedrai Oh, minha criança, verá Vai Vedrai che un sorriso Vai, verá que um sorriso Nasconde spesso un gran' dolore Às vezes esconde uma grande dor Vai Vedrai follia del uomo Vai, verá a loucura da humanidade
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Atemporal, impessoal, mas muito íntimo. Depravações oníricas são isentas de culpa. Apenas descrevo o que vi ou o que criei durante o sono. Passou a noite inteira preso. Um freio fazia com que sua língua ficasse fora da boca, suas mãos estendidas pros lados suspendiam o corpo de forma que não pudesse descansar. Ficava de pé. E se tentasse sentar ou se abaixar, ficava preso pelas genitálias. Pela manhã, quando ela entrou na cela, achava-se tão atordoado que não sabia se era pelo cansaço ou pela dor. Os olhos não se mantinham abertos, suas pernas bambeavam e não tiveram forças pra suportá-lo quando os guardas o soltaram. Ela o segurou e ele pôde sentir o conforto de sua pele quente. Então a agarrou com as forças que lhe restaram, era grato - e a amava. A voz dela tinha um tom materno: Uma dor lascinante em suas costas o fez acordar aos gritos. Ofegava como um animal e tão logo começou a sangrar. Podia senti-la por cima do seu corpo - nua - lambendo suas feridas e deflagrando outras. Ela o salvava da loucura. Pelo menos era o que ele pensava. Era mais difícil não lutar sem estar amarrado. Sua força se voltava para não reagir. O corpo dela era tão delicado que não merecia o mais leve toque. Resistia, pois era o mínimo que lhe devia. E se seus gemidos causavam-na prazer, essa era a sua satisfação. O suor dela escorria em seu corpo, já estava cansada da brincadeira. Como recompensa pelo esforço, ela deixou ser beijada. Carícias à parte, pois ela também o amava. Afinal, tinha sido um bom menino. Não poderia ter sido melhor. Não era a dor que excitava. Era a capacidade de suportá-la por amor a ela não por submissão, mas pelo prazer de dar prazer.
- Agora você entende?
Balançou a cabeça afirmativamente com os olhos entreabertos. Ela o beijou e o cobriu. Assim, ele adormeceu em seus braços. Sentia que agora poderia sonhar.
Alguns sonhos eu não tenho controle... Analise se quiser.
Procurávamos um lugar seguro. Estava cansada de fugir quando pulamos uma cerca.
Esbarrei em alguma coisa, mesmo estando escuro preocupei-me em saber o que era. O susto que levei fez com que caíssem as moedas nos olhos do cadáver da criança e eles se abriram. A cigana que fugia comigo precipitou-se ao seu ouvido e sussurrou-lhe coisas que não consegui entender. A criança levantou-se e caminhou em direção a outros cadáveres para sussurrar-lhes no ouvido. Só então pude ver que estávamos num cemitério. O Umbral - disse a cigana - 0nde as crianças não veladas ou não nascidas aguardam um lugar, qualquer lugar para onde possam ir. Enquanto isso ficam deitadas, esperando, apenas esperando. Haviam cadáveres em todos os estágios de putrefação, e ainda assim caminhavam.
Senti um vento frio percorrer a nuca. Ao olhar pra trás, um sapo monstruoso estava prestes a me atacar. Foi então que as crianças correram pra me defender E devorar o sapo. Rapidamente, a cigana me puxou e fugimos, deixando as moedas pelo caminho, como pagamento ao barqueiro.
Quis apenas colher os pedaços. Colhê-los e juntá-los. Resquícios de outros tempos abandonados ao tempo - intactos. Faz com que eu o espere nas mesmas lembranças, no mesmo vento. Naquela mesma saudade - a primeira e a última - de primavera eterna.
Em sonhos amontoados, como folhas ao vento adormecemos o mesmo sono. Foi então que aspirou minha essência que me falta agora, como o fôlego cansado que respiro.
Aparência oca: Sinto sua falta sem nada sentir. Porque a sua ausência anestesiou tudo o que há em mim. Anestesiou o entardecer, meus pensamentos, e o que mais não poderia atingir.
Não haveria porque substituí-lo. Pois o que falta aqui sou eu.
Entediante a rotina.
Entenda a rotina.
Diante a rotina.
Antes a rotina.
Entedie a rotina.
Incendeie.








